Wladimir Alves de Souza foi arquiteto, restaurador, decorador e professor, com notável presença no mundo acadêmico.

Pérgola de concreto

Wladimir Alves de Souza (1908 – 1994), foi arquiteto, restaurador, decorador e professor, com forte participação no mundo acadêmico. Formou-se Arquiteto em 1930, na ENBA (Escola Nacional de Belas Artes), premiado com medalha de ouro. Um ano após sua formação, concorreu ao “Prêmio Caminho à Europa”, ficando em primeiro lugar e vencendo inclusive o ilustre arquiteto modernista brasileiro Affonso Eduardo Reidy.

Seu projeto mais conhecido é a residência Chácara do Céu – hoje Museu Chácara do Céu –, encomendado por Raymundo Ottoni de Castro Maya, que foi um industrial, mecenas e colecionador (seu acervo hoje é exposto na residência projetada para ele por Wladimir), de quem era amigo e com quem também trabalhou como curador. A casa, localizada no bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, apresenta liberdade quanto ao estilo, que é observado no contraponto das linhas modernas com a decoração que, por vezes, se aproxima do ‘déco’, o que pode ser visto, por exemplo, no revestimento da parede em pó de pedra. A obra apresenta forte relação com o entorno, sendo coroada pelo jardim de Burle Marx que, num perfeito degradê, se adapta à mata original, além da presença de janelas com vista para os principais cartões postais da cidade. Wladimir era, portanto, exímio na prática de integração com o entorno, a que também se deve o sucesso de seus projetos.

Com Enéas Silva, sócio com o qual faria posteriormente mais projetos, participou do concurso que elegeria o prédio que sediaria o Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro, classificando-se em primeiro lugar. Apesar disso, seu projeto não foi executado por remeter ao movimento moderno, uma vez que se desejava uma construção que remetesse ao estilo clássico.

Em 1938, Wladimir se classifica como professor catedrático na ENBA, atual FAU-UFRJ (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro), atuando na área de Teoria e Filosofia da Arquitetura e ocupando posteriormente o cargo de diretor da Escola Nacional de Belas Artes por duas vezes. Em 1944, em companhia de alunos da Faculdade Nacional de Arquitetura, realiza conferência em Lisboa acerca da Arquitetura Brasileira.

Teve importantes participações em construções históricas do Rio de Janeiro como restaurador, como na Capela Mayrink (localizada no Parque Nacional da Tijuca) e nos portais da Floresta da Tijuca. Fora da cidade, atuou com restauração no antigo Solar da Marquesa de Santos, uma construção do século XVIII situada em São Paulo, e no Pelourinho, em Salvador. Lá, ainda participou do projeto de restauro do antigo Convento de Santa Teresa, onde hoje funciona o Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia.

mbora muitos de seus projetos sigam a lógica modernista, Wladimir Alves de Souza não o era essencialmente, opondo-se à tendência moderna na prática de seus projetos de restauração e dentro da sala de aula, como professor. No entanto, foi um arquiteto versátil e por projetar seu trabalho de acordo com os desejos de seus clientes, teve uma grande variedade de estilos em suas obras.

Wladimir tornou-se conhecido entre a elevada classe da sociedade, por quem foi empregado frequentemente para realizar projetos residenciais. Essa foi a principal razão para ter não só um, mas alguns deles situados em Santa Teresa, um bairro prestigiado pela elite carioca deste período, devido não só à sua localização central na cidade, rodeado por serviços e locais culturais e de lazer, mas também pelas paisagens exuberantes que o rodeiam. Devido à sua característica privativa, algumas das residências projetadas por ele acabaram sendo menos conhecidas.

Souza acredita que a arquitetura é "destinada a definir, a partir de qualquer improvisação, uma expressão sempre confiável e oportuna do ambiente social de um determinado momento, como parte das caractísticas topográficas, climáticas e sociais". Além disso, "os arquitetos contemporâneos são defensores firmes da tradição na arte, buscando apenas atualizá-la em um equilíbrio harmonioso e útil entre passado e presente, de acordo com as exigências do ambiente e as limitações de um progresso sempre renovador". Entre suas publicações estão os livros Aspectos da Arte Brasileira e O Espaço Barroco.

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